Lar Abrigado

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A especialidade

Em 1996, a Associação Beneficente Thereza Perlatti criou o Programa de Lar Abrigado. Este programa está profundamente vinculado ao processo de reformulação terapêutica desta instituição, contribuindo para a melhoria das condições de vida do paciente morador. O programa busca o incentivo e a manutenção da independência e autonomia dos pacientes em suas atividades práticas do dia a dia. Dessa maneira, o indivíduo pode exercer sua cidadania como sujeito participante no processo de resgate de sua identidade.

Para as pessoas com transtornos mentais, tantas vezes excluídas pela família, pela cultura e pela sociedade, é necessário que a prática psiquiátrica reconstrua a possibilidade desses indivíduos vivenciarem uma existência livre de estereótipos. Diante disso, deve ser reformulado e repensado o conceito de reabilitação, de modo a englobar um olhar ético, técnico, político e humano.

O Projeto de Lar Abrigado tem mostrado a importância de tratar o portador de transtorno mental com dignidade, garantindo respeito à sua individualidade. Tal proposta tornou-se referência para outros serviços, tendo em vista os resultados obtidos, principalmente devido à melhora significativa no quadro psicopatológico dos pacientes moradores.

 

Metodologia terapêutica:

 

A Equipe Técnica Interdisciplinar inicia seu trabalho avaliando o grau de dependência, o nível de comprometimento decorrente do longo período de hospitalização e as possibilidades de autonomia frente à capacidade de automanutenção.

Após criteriosas avaliações e discussões acerca de cada caso, a Equipe Técnica define a melhor estratégia de atuação no sentido de preparar cada paciente para a transferência de Programa. Tal transferência deve ser gradativa e supervisionada devido ao grau de institucionalização que pode tornar o indivíduo prisioneiro e dependente, incapaz de decidir ou escolher sobre suas necessidades, gerando resistência e insegurança ao sair do ambiente hospitalar.

Além disso, a Equipe Técnica realiza reuniões semanais para promover discussões de casos e aprimorar o funcionamento do Programa. Apesar do atendimento interdisciplinar, cada paciente tem um profissional como referência, o qual auxilia o paciente na administração do benefício LOAS, aposentadoria ou pensão e no contato telefônico com familiares.